Cinomose – o que é e como a acupuntura pode ajudar.

A cinomose é, sem dúvida, uma das doenças infecciosas mais terríveis. Cães que pegam essa doença, de fato, tem alto índice de mortalidade. Além disso, quem consegue se recuperar, pode permanecer com sequelas o resto da vida.

O que é cinomose?

Trata-se de uma doença viral multissistêmica causada pelo vírus da família Paramyxovirus, do gênero Morbilivírus. É, certamente, uma das doenças de cachorro que mais causa morte nestes animais, além de ser altamente contagiosa. Pode ser transmitida por contato com secreções do nariz e da boca (forma direta) ou pelo ar (de forma indireta).

No inicio, os sintomas não são tão específicos. O mais comum é que o cachorro comece a apresentar sinais como:

  • Febre
  • Indisposição,
  • Perda do apetite,
  • Aumento de secreção nasal e ocular,
  • Dificuldade respiratória
  • Diarreia
  • Vômitos.

A taxa de mortalidade varia, mas é mais alta em cães jovens. Além disso, sabe-se que é uma doença que tem maior incidência durante o inverno.

No seu quadro mais grave aparecem também sintomas neurológicos, tais como, tremores e falta de coordenação motora. Por ser uma doença tão agressiva e contagiosa, o tratamento é de difícil realização e por isso a vacinação é fundamental.

Pode se tornar ainda mais grave se o cão estiver com o sistema imunológico debilitado, pois além da disseminação do vírus, o animal pode sofrer de infecções secundárias causadas por bactérias oportunistas, podendo levá-lo à morte.

A cinomose na medicina tradicional chinesa

Primeiramente, na visão na medicina tradicional chinesa, a cinomose é vista como uma síndrome que envolve vento e calor.

É importante lembrar que na MTC, há seis causas externas que provocam patologias: vento, frio, calor, secura, umidade e calor de verão.

Outras causas são consideradas internas, como nas sete emoções: raiva, alegria, preocupação, pensamento obsessivo, tristeza, medo e choque.

Outros fatores que atuam no desenvolvimento de doenças são dieta, estilo de vida e acidentes.

O Calor é um fator patogênico de característica Yang e relaciona-se com o movimento fogo, podendo ser de origem interior ou exterior. Além disso, é dividido em dois tipos de acordo com a intensidade dos sintomas. O Calor moderado invade pequenas regiões da pele, sem causar sintomas sistêmicos. No entanto, o Calor intenso acomete o corpo de forma mais grave gerando sintomas sistêmicos.

Sendo uma patologia causada por um agente patológico virulento, a cinomose está, portanto, relacionada ao calor externo que invade o organismo.

O Calor consome o Yin gerando, portanto, um predomínio de Yang. Por ser Yang, tende a subir. Por isso, faz com que os sintomas concentrem-se geralmente na parte superior do corpo.

O Calor pode afetar o Coração (Xin), que é a morada do Shen (mente). Por isso, as doenças de calor podem evoluir com sintomas relativos à Shen.

O Vento também é um fator patogênico de característica Yang. Todavia, tende a danificar o Sangue (Xue) e o Yin, podendo ser de origem interior ou exterior. O conceito “Vento”, segundo a M.T.C., indica movimento rápido e inconstante.

Por ser leve, o Vento tem característica de ascender, sendo um movimento Yang. Os sintomas têm manifestações de início agudo e costumam localizar-se ou serem mais intensos no alto do corpo, principalmente na cabeça.

O tratamento com acupuntura.

Belinha. Pinscher resgatada na rua com cinomose.

O tratamento na M.T.C. baseia-se, portanto, na correção da desarmonia, restabelecendo o equilíbrio do organismo. Os pontos selecionados visam, enfim, retirar o vento (o que irá reduzir os tremores e convulsões) e equilibrar o Yin e Yang. Isso levará a uma melhora da qualidade de vida já que irá reduzir os tremores, nutrir o sangue, aumentar a imunidade, e tranquilizar o animal.

A cinomose, por ser uma infecção causada por um agente patológico virulento, apresenta sintomatologia relacionadas à Síndrome Vento, Calor Externo e Síndrome Wei Bi (ou seja, Síndrome Atrófica).

O termo Wei significa “murcho” e na M.T.C. refere-se ao quadro caracterizado por “secagem” dos músculos e tendões, proveniente de desnutrição tanto de Qi (energia vital) e/ou Xue (ou seja, sangue).

O termo Bi, sugere inabilidade ao andar. Portanto, a Síndrome Atrófica consiste em um quadro caracterizado por fraqueza dos quatro membros, gerando atrofia progressiva, estado flácido dos músculos e tendões, incapacidade de andar corretamente e eventualmente paralisia.

Segundo um estudo sobre o uso da acupuntura no tratamento de animais com sequelas neurológicas decorrentes de cinomose, desenvolvido por Bianca P.C.R. dos Santos em sua dissertação de mestrado, a mioclonia presente em 50% dos animais infectados, após tratamento com acupuntura, apresentou redução da severidade em todos e cura em 25% dos animais.

As alterações encefálicas (18 de 24 animais), de nervos cranianos (18 de 24 animais) e de micção (5 de 24 animais) foram revertidas em todos os animais. Concluiu, ainda, que a acupuntura associada à eletroacupuntura é eficaz no tratamento das sequelas neurológicas da cinomose e atualmente é a melhor opção terapêutica disponível.

Observação Final:

É muito importante esclarecer que a acupuntura é uma opção terapêutica que visa melhorar a qualidade de vida do paciente e minimizar as sequelas que são geralmente deixadas por essa doença gravíssima.

Em nenhum momento o tratamento com a acupuntura, substitui o tratamento com medicamentos prescritos por veterinários clínicos gerais. Trata-se, portanto, de uma associação de terapias.

Recomenda-se, enfim, a vacinação anual do cachorro para evitar esse tipo de doença.

Referências Bibliográficas:

SANTOS, Bianca Paiva Costa Rodrigues dos. Efeito da acupuntura no tratamento de animais com sequelas neurológicas decorrentes de cinomose. 2013. 107 f. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, 2013.

NAKAGAWA, A.H. C. Cinomose Canina e Acupuntua: Relato de Caso. Monografia apresentada para conclusão de curso de Especialização em Acupuntura Veterinária. Belo Horizonte, 2009.

MACIOCIA, G. Os Fundamentos da medicina chinesa. São Paulo: Roca, 1996.

SCHOEN, A. M. Acupuntura veterinária: da arte antiga à medicina moderna. São Paulo: Roca, 2006

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