Displasia coxofemoral – como a acupuntura pode ajudar.

O que é displasia coxofemoral?

*Displasia e artrose em Labrador. Fonte: Live Diagnósticos

Antes de mais nada, é importante explicar o que é displasia coxofemoral. Trata-se do desenvolvimento anormal da articulação coxofemoral, muito comum em cães de portes grandes e gigantes.

Portanto, é uma instabilidade que envolve estruturas como a cabeça do fêmur, a cápsula articular e o acetábulo (local onde a cabeça do fêmur se encaixa).

É um distúrbio oriundo de fatores ambientais, biomecânicos, nutricionais associados à fatores genéticos. Ou seja, hereditariedade e o ambiente em que o cachorro vive influenciam, certamente, o surgimento da enfermidade. 

Por ser transmitido geneticamente, machos e fêmeas que apresentam esse problema de saúde não são recomendados, portanto, para reprodução.

Cães displásicos costumam nascer sem sintomatologia aparente. Normalmente, de fato, os primeiros sinais aparecem entre quatro meses e um ano de idade. À medida que a condição progride, a deformação da estrutura do acetábulo e da cabeça do fêmur é, simultaneamente, acompanhada pelo desenvolvimento de uma artropatia degenerativa, causando dor, podendo ser até mesmo incapacitante.

Algumas raças são mais predispostas a esta condição. Entre elas estão: Pastor Alemão, Rottweiler, Labrador, Golden, Pointer, Fila Brasileiro, Mastim Napolitano. Todavia, raças de pequeno porte também podem apresentar displasia coxofemoral, porém é menos frequente.

Sinais e sintomas

Inicialmente, os sinais clínicos da displasia coxofemoral são pouco evidentes, principalmente quando o cachorro é ainda muito novo.

*Displasia e artrose em Pastor Alemão. Fonte: Live Diagnósticos

Cães mais novos, geralmente, manifestam sinais agudos com afecção unilateral. Eventualmente, pode ser bilateral. Entretanto, a maioria dos cães displásicos entre 12 a 14 meses, costuma correr e andar normalmente.

Quando começam a aparecer os sinais observa-se, em primeiro lugar, claudicação. Ou seja, o animal começa a mancar, principalmente após exercícios físicos.

Posteriormente, podem começar a aparecer sinais como arqueamento da coluna, redução das atividades locomotoras e enfim, acentuada dor nos membros pélvicos. Além disso, nota-se que o animal joga o próprio peso para as patas dianteiras.

Em estágio mais avançado, então, o animal pode sentir muita dor a ponto de se recusar a andar.

Cuidados com o paciente

Quando diagnosticado através de exame clínico e realização de rx, o proprietário, dependendo da condição e da gravidade da displasia, poderá optar por fazer um tratamento cirúrgico (que envolve a retirada da cabeça do fêmur), e/ou uma série de tratamentos paliativos. A decisão, entretanto, dependerá da gravidade, idade do animal e recomendação do médico veterinário de confiança.

Os tratamentos para a displasia coxofemoral visam minimizar a dor, combater os sintomas e, enfim, proporcionar melhor condição de vida para o animal. Em geral recomenda-se a diminuição do peso do animal a fim de reduzir o estresse mecânico sobre a articulação para prevenir ou aliviar o processo inflamatório presente.

Nos casos mais graves podem ser usados anti-inflamatórios para o controle da dor. Como opções terapêuticas, são frequentemente recomendadas a fisioterapia, hidroterapia, acupuntura, uso de  condroprotetores e, enfim, cirurgia.

Os cuidados em geral devem ser:

-Restrição de atividades, a fim de não causar inflamação e dor;

-Diminuição do peso do animal;

-Evitar pisos lisos.

Como a acupuntura pode ajudar?

Fonte: AcuPoints

A acupuntura tem sido cada vez mais utilizada na medicina veterinária para a terapia e a cura de muitas enfermidades. Esta técnica funciona  com a inserção de agulhas que provocam estímulos através da pele. Os pontos escolhidos denominam-se acupontos, e estão distribuídos nos meridianos ou canais principais que conduzem a energia vital (QI) pelo organismo.

Um estudo realizado no Departamento de Reabilitação da Escola de Medicina de Hannover, mostrou que a inserção de agulhas na região coxofemoral, assim como em acupontos específicos, fez com que os pacientes melhorassem reduzindo a dor e a rigidez muscular, e obtendo, enfim, maior angulo de movimento da articulação.

Quase todos os animais respondem, sem dúvida, de forma favorável à acupuntura. A maioria relaxa muito e chega a dormir por causa da liberação de endorfinas.

Os pontos mais frequentemente utilizados em pacientes displásicos são, certamente, os pontos VB29, VB30, B54. Além destes, podem ser usados os pontos distais B60, B40, E36 VB34 e R3. O uso do ponto F3 também é ótimo para displasia coxofemoral.

Implante de ouro

Além da acupuntura tradicional, existe o implante de ouro. Ou seja, como o próprio nome diz, implantam-se pequenos fragmentos de ouro 18k em pontos específicos de acupuntura e em pontos gatilhos ao redor da articulação coxofemoral, com intuito de melhorar a dor e, portanto, aumentar a mobilidade.

Esta técnica é muito recomendada por apresentar estímulos permanentes dos pontos implantados, com resultados de longa duração. Diversos estudos já mostram, inclusive, que esta técnica pode melhorar a locomoção e promover maior analgesia por até dois anos de tratamento.

Considerações finais

Apesar de ainda ter sua eficácia questionada, a acupuntura, sem dúvida, representa um método terapêutico de grande relevância para a Medicina Veterinária.

É, de fato, uma ferramenta importante para  o restabelecimento da força muscular, controle da dor e inflamação. Por isso, favorece a melhora das atividades locomotoras e do ângulo de movimento da articulação, permitindo, assim, maior tolerância a exercícios e, consequentemente, melhoria da qualidade de vida de cães displásicos.

 

Referências bibliográficas:

Acupuntura como terapia complementar no tratamento de displasia coxofemoral em cães. Perrupato, T.F.; Quirino, A.C. Revista de Ciencia Veterinária e Saúde Pública. V1, n.2, 2014

Acupuntura Veterinária – Da arte antiga à medicina moderna. Schoen, A. São Paulo, Roca, 2006.

Manual Saunders – Clínica de Pequenos Animais. Bichard, s. Sherding, R. São Paulo, Roca, 2003.

Uso da acupuntura nas síndrome articulares: primeira ou última opção. Joaquim, J. Acta Scientiar Veterinariae. 35 (Supl2), 2007

Radiologia e Ultra-Sonografia do Cão e do Gato. Kealy, K.; McAllister, H. Barueri, Manole, 2005.

 

*As imagens de rx foram gentilmente cedidas pela Dra. Patrícia Mattos da Live – Centro de Referência em Diagnóstico Veterinários. 

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